29/01/2026 17:12

Retrospectiva 2025: O Ano em que a Previdência Privada Teve que se Reinventar

Previdência em 2025: entenda o impacto do IOF e da Selic 15% no seu bolso e as estratégias que estão definindo o mercado agora em 2026.

Se 2024 foi o ano das promessas, 2025 ficará marcado como o ano do “choque de realidade” para o mercado de previdência complementar no Brasil. O setor enfrentou uma tempestade perfeita: a chegada de um imposto inesperado e uma Selic que insistiu em permanecer no topo, testando a fidelidade até dos investidores mais conservadores.

O "Efeito Tesoura" nos Números

Os balanços consolidados de 2025 revelam o tamanho do ajuste. Segundo a Fenaprevi, o setor viveu uma inversão de fluxo preocupante ao longo do ano:

  • Aportes: Uma queda brusca de 18,6% (totalizando R$ 134 bilhões).
  • Resgates: Uma alta de 15%, drenando quase R$ 128 bilhões do sistema.


Essa proximidade entre o que entra e o que sai acendeu o sinal de alerta nas gestoras, forçando uma revisão completa nos produtos oferecidos.

O Gatilho: O IOF de 5% sobre o VGBL

O grande divisor de águas foi a medida imposta no fim do primeiro semestre de 2025: a cobrança de 5% de IOF sobre aportes em planos VGBL acima de R$ 300 mil.

Como o VGBL concentra 90% da arrecadação do mercado, o impacto foi sísmico. Em agosto e setembro, o setor viu receitas desabarem quase 40%. O que era o porto seguro do planejamento sucessório tornou-se, subitamente, um pedágio caro para grandes movimentações.

A Selic a 15% e a Fuga para o Curto Prazo

Não foi apenas a tributação que pesou. Com a Selic estacionada em 15% durante boa parte de 2025, o “custo de oportunidade” ficou alto demais.

Muitos investidores adotaram uma postura utilitarista: resgataram recursos da previdência para “surfar” a onda dos juros altos na renda fixa tradicional, com a promessa de retornar ao setor apenas quando o cenário macroeconômico desse sinais de arrefecimento.

A Reação: Do VGBL ao Planejamento de Risco

Para sobreviver ao ano, as seguradoras (lideradas por gigantes como Bradesco, XP e MAG) mudaram o discurso:

  1. Ressurgimento do PGBL: Com o VGBL sob ataque do IOF, o PGBL voltou aos holofotes, aproveitando o benefício fiscal de diferimento no IR.
  2. Foco em Proteção: A venda consultiva deixou de focar apenas em rendimento e passou a focar em seguro e pensão, transformando a previdência em uma ferramenta de proteção familiar indispensável.
  3. A Guerra da Portabilidade: Sem dinheiro “novo” entrando com tanta força, o jogo virou uma disputa para manter o que já estava na casa através de uma comunicação mais agressiva e transparente.

Conclusão: O que aprendemos em 2025?

O ano que passou provou que a previdência privada não é imune à política fiscal, mas segue sendo um pilar de longo prazo. O investidor que resistiu ao barulho dos juros altos e entendeu as novas regras de IOF entra em 2026 com um portfólio mais resiliente. A lição de 2025 é clara: flexibilidade tributária agora vale tanto quanto rentabilidade.

Fonte: InfoMoney

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