Se 2024 foi o ano das promessas, 2025 ficará marcado como o ano do “choque de realidade” para o mercado de previdência complementar no Brasil. O setor enfrentou uma tempestade perfeita: a chegada de um imposto inesperado e uma Selic que insistiu em permanecer no topo, testando a fidelidade até dos investidores mais conservadores.
Os balanços consolidados de 2025 revelam o tamanho do ajuste. Segundo a Fenaprevi, o setor viveu uma inversão de fluxo preocupante ao longo do ano:
Essa proximidade entre o que entra e o que sai acendeu o sinal de alerta nas gestoras, forçando uma revisão completa nos produtos oferecidos.
O grande divisor de águas foi a medida imposta no fim do primeiro semestre de 2025: a cobrança de 5% de IOF sobre aportes em planos VGBL acima de R$ 300 mil.
Como o VGBL concentra 90% da arrecadação do mercado, o impacto foi sísmico. Em agosto e setembro, o setor viu receitas desabarem quase 40%. O que era o porto seguro do planejamento sucessório tornou-se, subitamente, um pedágio caro para grandes movimentações.
Não foi apenas a tributação que pesou. Com a Selic estacionada em 15% durante boa parte de 2025, o “custo de oportunidade” ficou alto demais.
Muitos investidores adotaram uma postura utilitarista: resgataram recursos da previdência para “surfar” a onda dos juros altos na renda fixa tradicional, com a promessa de retornar ao setor apenas quando o cenário macroeconômico desse sinais de arrefecimento.
Para sobreviver ao ano, as seguradoras (lideradas por gigantes como Bradesco, XP e MAG) mudaram o discurso:
O ano que passou provou que a previdência privada não é imune à política fiscal, mas segue sendo um pilar de longo prazo. O investidor que resistiu ao barulho dos juros altos e entendeu as novas regras de IOF entra em 2026 com um portfólio mais resiliente. A lição de 2025 é clara: flexibilidade tributária agora vale tanto quanto rentabilidade.
Fonte: InfoMoney