Durante décadas, ser mulher era sinônimo de pagar menos no seguro do carro. A lógica era simples e baseada em fatos: elas são mais prudentes, se envolvem em menos acidentes graves e, portanto, representam um risco menor.
Mas os dados de 2025 trazem um alerta desconfortável: o jogo virou.
Enquanto o preço médio para os homens caiu, o boleto das mulheres subiu. Mas o que mudou? As mulheres desaprenderam a dirigir ou o mercado encontrou uma nova forma de cobrar mais?
Um levantamento recente da Creditas revelou uma tendência indigesta. No último ano, o preço médio do seguro para o público masculino teve uma leve queda de 1,5%. No mesmo período, as mulheres viram o custo das suas apólices subir 2,5%.
Nominalmente, em algumas capitais, o perfil feminino já paga cerca de R$ 2.792,46, superando a média masculina de R$ 2.496,16.
O argumento da indústria é que o estilo de vida mudou. Segundo Michel Tanam, Gerente da Creditas Seguros, as mulheres agora ocupam posições que exigem mais deslocamentos e circulam em horários e zonas de risco que antes eram majoritariamente masculinos. Em resumo: a “exposição ao risco” teria se igualado.
Porém, há um buraco nessa explicação. Se a exposição ao risco apenas se igualou, por que o valor para elas ficou mais caro do que para eles? Se o tempo de volante é o mesmo, a prudência feminina não deveria continuar sendo o fator de desempate para um preço menor?
Se olharmos para as ruas, a estatística não sustenta o aumento de preços para o público feminino. Dados do Detran-SP são implacáveis:
A disparidade é gritante. Os homens continuam sendo os protagonistas das ocorrências graves e fatais. Mesmo assim, o mercado parece estar ignorando o histórico de bom comportamento em favor de novas métricas de “estilo de vida” e “região de circulação”.
Existem hoje dois grandes termômetros no mercado, e eles nem sempre concordam:
No fim das contas, a “regra de ouro” de que mulher sempre paga menos caiu por terra. O preço agora é um quebra-cabeça complexo onde o seu gênero é apenas uma peça — e, às vezes, uma peça que joga contra você sem uma razão clara.
Fatores como CEP, modelo do carro e até a profissão estão pesando mais do que o histórico de direção
Não aceite a renovação automática. Com o mercado em transição e as seguradoras testando novos limites de preço, pesquisar e questionar os critérios de risco nunca foi tão necessário. Afinal, se as estatísticas de trânsito dizem que você é uma motorista melhor, seu bolso deveria refletir isso.
Fonte: Estadão